Você é tudo o que quiser ou tudo o que seu medo deixa você ser?

Texto de Ana Carolina Ribeiro Ferreira de Brito

Quem aqui já ouviu falar de um querido mocinho chamado medo? (mocinho é por minha conta… rs) Provavelmente a maioria já ouviu falar e todos já sentiram na pele. Ele nos acompanha durante toda a existência, ancorado em cada etapa por desafios diferentes.

Na infância, lá estava ele quando precisava dar os primeiros passos, as primeiras palavras: e se eu cair quando soltar das mãos da minha mãe? Se minhas pernas não aguentarem a pressão dos passos? Se eu falar e ninguém entender?

Anos depois os desafios são outros: o primeiro dia de aula, os passeios com a turma, o desenvolvimento da escrita e leitura. Novamente somos bombardeados pelo sentimento de medo: o da separação da mãe, o de não gostar da turma, o de não aprender a ler e a escrever.

Na adolescência, ahhh a adolescência! Que fase paradoxal! Lá está o adolescente, que oscila entre comportamentos infantis e juvenis, pois está vivenciando uma importante transição. E para agregar a essa bagagem de mudanças físicas, o medo faz questão de estar presente nesta viagem. É isso mesmo, falar que o adolescente não possui medo e que é corajoso e auto-suficiente pra tudo é um tanto raso e perigoso. Cada etapa possui seus medos característicos, e a adolescência não foge a regra neste quesito. Pense comigo: muitas vezes não é fácil atender as expectativas da família e da sociedade. A primeira te estimula a estudar, a ser responsável, a ser educado, a pensar sempre antes de agir. A segunda, em contrapartida, muitas vezes diz que você deve curtir ao máximo este momento, fazer amizades e ser fieis a ela, mesmo que isso custe certo preço, te ensina também que é a fase das paqueras, dos namoros, e que deve concentrar grandes esforços nesta área.

Logo vem a juventude, a sonhada juventude. Agora eu sou dona de mim, sou livre e posso fazer tudo o que quiser!!! Depende. Às vezes é tudo o que o seu medo deixa você ser. É nessa fase complexa que você é exigida a tomar decisões importantíssimas que vão acarretar consequências para o resto da vida: é aqui que você precisa decidir, caso vá fazer, qual faculdade cursar, e consequentemente qual profissão terá. É aqui também que você escolhe parceiros amorosos e talvez o parceiro para o resto da vida. Agora pergunto: como podem exigir de nós escolhas tão sérias como essas, quando não conseguimos ao menos decidir a roupa que sairemos no final de semana, quando temos medo do paquera não gostar dos seus trejeitos, quando lutamos para ser aceitos socialmente, quando nossa cabeça está cheia de nós e sinceramente não achamos a ponta. Não seria melhor achá-la primeiro pra depois nos levantarmos e aí então decidirmos tudo isso?

Não sei. Talvez sim. Talvez não. Mas o ponto aqui é o medo. Durante toda nossa vida somos acompanhados por vários sentimentos, e não ouso aqui encerrar as possibilidades de medos apenas nos exemplos supracitados. São muitos e incontáveis. São eternos e passageiros. São grandes e pequenos. São difíceis e fáceis. São antagônicos e similares. Tê-los não significa fraqueza, pois a questão não é se livrar completamente deles (caso pudéssemos, talvez viveríamos bem pior do que aqueles que possuem muitos), pois cabe aqui ressaltar seu aspecto protetor e essencialmente necessário para a nossa sobrevivência. Partilho da ideia de que todos os extremos são perigosos. Portanto de certa forma temos que nos acostumar com ele, sem necessariamente fazer dele uma companhia. Novamente digo: tê-lo não é o problema, mas o que fazemos com ele é: encará-lo ou abraçá-lo?

Se soltarmos dele talvez descobriremos um mundo de possibilidades que estão prontas para ser abraçadas. Afinal, só não vive com medo quem não vive. Prefiro viver mesmo vivendo com ele. E você?

 

Imagem: Pexels

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