Quem realmente somos

por Karen Padilha

Sempre me considerei uma menina com muita coragem devido a tantas dificuldades que ultrapassei em minha caminhada, algumas vezes paro para pensar e duvido se sou mesmo tao corajosa assim ou é só uma mascara que uso para não fraquejar .

Acabei entendendo que nem sempre ser corajosa consiste em todos os aspectos da minha vida, pois existem algumas coisas que minha coragem é zero, é tao inexistente que me paralisa. Entendi também que essa falta de coragem é relacionada com o medo, o medo nos faz não ter coragem , o medo de perder algo ou alguém nos deixa sem rumo.

Mas a vida não é sempre bondosa ou fácil , ela vai te colocar em situações que, ou você encara esse medo ou você será um fracassado. É bem difícil pensar assim, porém é a mais pura verdade e realidade.

Eu tenho uma dificuldade muito grande de admitir que sou uma pessoa carente. De pessoas, amigos, família e afeto. Que sou sozinha e isso me doí muito.

Quando me relaciono com alguém eu dou tudo de mim, me entrego de corpo e alma e espero que façam o mesmo, mas aprendi também que essa não é a maneira correta, devemos dar sem esperar nada em troca porque sempre seremos decepcionados.

Por ter essa falta de afeto eu me torno dependente de outra pessoa, sinto que se acontecer algo e essa pessoa partir minha vida vai acabar, e é realmente isso que sinto e também doí muito.

Esse medo de perder alguém, de seguir em frente é que me faz não ter coragem de assumir que talvez essa relação que eu tenha com outra pessoa está na hora de acabar, ou até passou da hora. E eu fico insistindo, deixando de me amar em primeiro lugar, rastejando, pedindo perdão, e funciona porque eu sei que no fundo é isso o que a outra pessoa quer. Que eu rasteje, mostre o quanto ela é importante na minha vida e farei de tudo para ela ficar.

Isso é um tanto quanto autodestrutivo, por mais que exista amor. É extremamente complicado entender relações assim, alguns dizem que se é assim não existe amor, outras tem opiniões diferentes , eu acredito que devemos fazer e acreditar naquilo que somos e que temos vontade de fazer independente de qualquer opinião alheia, contanto que isso não comece a fazer mal .

Outra coisa que é mais difícil ainda admitir é a falta de amor-próprio que existe em mim, acho que isso nunca existiu, sempre coloquei outras pessoas em primeiro lugar, sofri por elas, chorei, me desgastei emocionalmente e psicologicamente e talvez por isso eu seja um tanto quanto desequilibrada quando o assunto é relacionamentos . Sempre escrevo sobre amor-próprio e o quanto é importante, mas não sei como fazer isso . Por pouquíssimas vezes em meus 23 anos me senti completa, me amando, como se nada mais fosse importante além de mim, como se não precisasse de mais nada e ninguém , esse sentimento é tão bom que sempre que sentia eu era grata por estar sentindo e pedia para que assim fosse todos os dias.

O ponto é que, a forma como somos agora é consequência das experiências que tivemos e como fomos criados embora sempre é possível mudar.

A cada dia podemos mudar, buscar o que nos falta, encarar nossos medos, admiti-los para nós mesmos, olhar nosso reflexo no espelho e falar , encarar quem somos verdadeiramente , sentir isso e buscar ajuda, ferramentas para melhorar.

Não existe nada de errado com a falta de coragem ou amor-próprio, nós adquirimos coragem e esse amor por nós mesmo ao decorrer da vida, mas é importante que saibamos disso e que não deixemos isso nos paralisar.

A vida é uma luta diária, e precisamos usar de toda nossas forças para sairmos vencedores .

Imagem da capa: Pexels

Karen Padilha natural de Cotia-sp , formada em Introdução a Filosofia ( University of Edinburg – Londres), Introdução a Psicologia ( University of Toronto), Origens da vida no contexto cósmico (USP) e Inglês ( Mayfair School of English- Londres). Áreas como filosofia, psicologia e astronomia são fontes de inspiração para seus projetos.  Acabou de de escrever seu primeiro livro que, em breve, estará disponível nas livrarias: ‘’ O que fizeram de mim? Reflexões sobre traumas e transformações” .

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