O Que é o Amor?

Por Artur Salles Lisboa de Oliveira

 

Não, o Amor não é uma abstração; seria uma aberração afirmar isso de uma força tão presente fisicamente, concretamente e emocionalmente em todos os mínimos detalhes da sua vida.

Você acorda com os pensamentos inundando a sua mente—lembranças de olhares, de sorrisos, de um silêncio estratégico, e de uma voz insubstituível ecoando dentro de você. Ela passeando nas opções do cardápio para deixar você mais confortável e você tentando conquistar o olhar dela.

E as pausas antes das respostas? Respiração ofegante, mente acelerada. Eu deitado no chão após horas de conversas e ela viajando no passado para se certificar de quem esnobou quem. Irrelevante, é verdade; apenas uma desculpa para viajar por 17 anos e lembrar das intermináveis conversas nas quais assuntos às vezes faltavam, mas a vontade de continuar falando era imensurável. A melhor parte era, sem dúvida, as pausas, o silêncio, as palavras óbvias, “É, complicado.”

Então depois de alguns minutos checando whatsApp, e-mails e outros meios eletrônicos finalmente você consegue se levantar, se preparar para um dia de labuta. Mas, o Amor continua presente em todos os mínimos detalhes da sua vida. Você para diante do espelho para checar se seu cabelo “amassado” realmente parece charmoso como ela diz e se sua mão realmente é bonita. Não estou certo disso.

Tenho certeza sim que ninguém nesse mundo conseguirá parecer tão linda comendo uma pizza como ela; assim como ninguém terá a habilidade de tirar uma foto em momento introspectivo, de profunda e atenta observação do “comportamento da raça humana” e ainda parecer tão bonita. Bom, talvez sejam meus olhos, mas eles estão convictos do que vêem.

O Amor nem sempre é confortável e certo. Essa força irá te cutucar e te provocar pisando em seus “calos” todos os dias. Você se irritará, se desequilibrará em alguns momentos, mas o sentimento predominante será de felicidade por saber que existe alguém nesse mundo disposto a transformar você em uma pessoa melhor. Não é apenas uma questão de compartilhar momentos juntos, mas principalmente de querer o Bem do outro com tanta intensidade que você está disposto a pôr tudo a perder pelo Bem da outra pessoa. Afortunados aqueles que encontram pessoas com essa capacidade de amar.

Lugar comum, é verdade, mas amar também significa dedicação. Significa permanecer no telefone até “alta madrugada” por saber que o outro precisa escutar a sua voz após a perda de uma pessoa querida. Não importam as conversas, não importa o que é dito—apoio é perceber a presença do outro e, conseqüentemente, saber que você não está sozinha. Não importam quantas taças de vinhos, o Amor nesse caso está relacionado à percepção da presença do outro.

Mas não brinque com o Amor. Não seja “distraído,” não se cerque de “barreiras” para impedir que o Amor se materialize porque apesar dele ser atemporal e resiliente, nossas mentes não se comportam dessa forma. A razão conta nos dedos quantos dias faltam para nós nos tornamos quarentões. A razão bisbilhota a vida alheia para sabermos se fulano e beltrano casaram, tiveram filhos ou se um divórcio se avizinha. A razão nos faz viver enquanto o Amor nos faz sonhar…

(De Artur para Glaucia)

Imagem: Pexels

 

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