MACHADO DE ASSIS E FIÓDOR DOSTOIÉVSKI: A REVOLUÇÃO DO REALISMO

Ao falarmos em Fiódor Dostoiévski vem à mente as famosas obras do autor: “Crime e Castigo”, “O Jogador”, “O Idiota” e “Irmãos Karamazov”. Polêmico, racional e tão verdadeiro quanto poucos conseguiram ser. Dostoiévski criou uma literatura “diferente” do que a sociedade russa estava acostumada.

O livro mais famoso do autor, foi motivo de estudo para várias discussões. Estudiosos afirmam que “Crime e Castigo” foi escrito baseado na experiência do autor enquanto estava preso, pelo fato de “ter participado” de um grupo com características tendenciosas para o socialismo. Mas, não tão conhecida quanto os clássicos do autor, há uma obra que o classifica como realista e, mesmo que em épocas e países diferentes, o leitor consegue identificar traços tão marcantes que o aproximam de um dos maiores escritores da Literatura Brasileira: Machado de Assis.

Machado nasceu em 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro. Dostoiévski em 1881, em São Petersburgo, Rússia. A possibilidade de escreverem sobre temas parecidos e terem características literárias em suas obras seria nula, mas a história aconteceu de outra forma.

As comparações entre Dostoiévski e Machado não sou poucas e tem sido motivo de estudos há tempos. Isso explica, talvez, o fato de Dostoiévski ter grande parte de sua obra lançada no Brasil com grande sucesso editorial.

Machado era polêmico: descrevia nas entrelinhas suas críticas à sociedade do Rio de Janeiro e a aversão que possuía de algumas atitudes fúteis. O título de autor realista é justo, já que transformou em romances tudo o sofreu na pele tudo o descrevia: preconceito, incompreensão e injustiça social. Dostoiévski também seguiu uma linha romancista (o livro “Noites Brancas” é o exemplo disso), mas os traços de realismo em suas obras prevaleceram e, através deles, o autor conseguiu fama.

Um exemplo da semelhança da temática dos autores são os clássicos “Dom casmurro”(1899) e “O eterno marido” (1870) de Machado de Assis e Dostoiévski, respectivamente. Com um triângulo amoroso e uma figura feminina marcante, não há como ler um clássico sem fazer relação ao outro: a dúvida, o medo, a culpa e a suspeita do adultério são a base da trama de ambos.

Cada autor, em seu continente e com obras publicadas em tempos diferentes, revolucionou a escola literária e trouxe para as sociedades russa e brasileira verdadeiros registros históricos dos conhecimentos empíricos vivenciados por eles.


Imagem: Google

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