Freud, você nos deve explicações…

A psicanálise tem um pai: Segmund Freud. Por motivos desconhecidos ele virou, também, o pai das dúvidas sem resposta. Não é raro ouvir “Freud explica” nas rodas de conversas informais.

A psicanálise e Freud se popularizaram de tal forma que suas ideias, muitas vezes apresentadas de modo errôneas e distorcidas, viraram explicação para todas as situações complexas da humanidade, principalmente nessa sociedade modista em que vivemos. Tudo é motivo para buscarmos respostas e esclarecimentos sobre algum comportamento visto como “diferente”, mesmo quando não há.

Há dias em que, simplesmente, queremos ficar quietos, em estado de inércia e isso não exige um estudo minucioso sobre o comportamento humano. Quando Freud escreveu “O mal da civilização” em 1930 e defendeu a tese de que “o indivíduo é um ser infeliz, e que esse mesmo indivíduo vive á mercê de uma infelicidade permanente”, o psicanalista não se referia a todo comportamento humano, mas a determinados momentos de infelicidade que todos enfrentam. O problema está na (errada) interpretação que fizeram do tema.

Atualmente, é proibido estar triste. Fato! Uma lágrima é motivo de remédios de tarja preta ou filas gigantescas na porta dos consultórios. A supervalorização do estado de felicidade no ser humano é demolidora, porque traz consigo a obrigação em ser feliz o tempo todo, fazendo-nos esquecer que a felicidade não é rotineira e que, segundo o próprio Freud, nunca chega a nos pertencer. Ser feliz é diferente de estar feliz e entre essas definições existe uma ponte gigantesca. Mas o homem busca incessantemente ser feliz como um objetivo de vida, esquecendo de viver as outras emoções da vida. “A felicidade é efêmera por definição. Por isso, as pessoas que só pensam nela sofrem muito mais e se distanciam das pequenas alegrias da vida”, afirma o escritor francês Pascal Bruckner, autor do livro A Euforia Perpétua (Bertrand Brasil, 2002).

Poucos percebem que a sensação de estar triste é tão benéfica quanto à felicidade. Tristeza é um sentimento que responde a estímulos internos, como memórias e vivências e isso permite que haja amadurecimento emocional e busca de soluções para acabar com essa situação emocional.

Em uma entrevista, Freud fez uma das mais lindas definições de tristeza: “Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade (…) Não, eu não sou pessimista, não enquanto tiver meus filhos, minha mulher e minhas flores! Não sou infeliz – ao menos não mais infeliz que os outros”.

A verdade é que a aprendizagem proporcionada pela tristeza é algo enriquecedor e resta-nos viver (e amadurecer) enquanto ela insiste em permanecer em nossos dias.

 

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