De quantos “eu te avisei” se constrói um arrependimento?

Uma das maiores inverdades que pregam na sociedade é a teoria de que não devemos nos arrepender de nada do que fizemos. Geralmente, ela vem mascarada pela famosa frase: “não me arrependo de nada do que fiz, arrependo-me do que não fiz”.

Nessa linha de pensamento, as pessoas estão vivendo sem pensar nas próprias atitudes e sem questionar o que estão aprendendo com os próprios erros.

Admita: não foram poucas as vezes em que você se arrependeu de atitudes que realizou. Quantas coisas que, se pudesse voltar no tempo,você apagaria da sua vida? Quantas palavras ditas ao vento? Quantos erros? Quantos romances tumultuados? Quanto arrependimento!

A verdade é que ninguém carrega dentro de si um GPS com o mapa da felicidade. Erramos, caímos, levantamos e continuamos o caminho. Disso é feita a vida. O problema está nos arrependimentos que carregamos na bagagem e o que fazemos deles.

Você sabia que o amor havia acabado, mas preferiu acreditar que era apenas rotina. Sabia que ele não iria mudar, mas preferiu dar uma segunda chance, para não se arrepender depois. Sabia que ele não estava de corpo e alma ali, mas preferiu acreditar que era cansaço do trabalho.

Você sabia, você sempre soube. Sua intuição avisou que aquele relacionamento não deveria nem ter começado, mas você abafou a voz da consciência para ouvir a do coração, já que na época, era o que parecia mais sensato fazer. O fim foi inevitável e o arrependimento resolveu te esfregar na cara o que a intuição tentou avisar.

Se soubéssemos dar mais valor às ações do que às palavras, pouparíamos nosso tempo e nossa alma de sofrimentos banais. Pouco importa o “eu te amo” se as ações não comprovam isso. Pouco importa se a pessoa diz que está com saudades, mas parece o mestre dos magos: aparece quando quer e some na velocidade da luz. Palavras não suprem atitudes!

Chega uma hora na vida em que a maturidade cobra uma nova postura e o arrependimento leva-nos à nocaute. E isso é ótimo! Arrepender-se significa dar uma nova chance para a própria história.

É nesse momento que quebramos as algemas do passado e começamos a nos envergonhar dos amores platônicos, das insistentes ligações não atendidas, dos pedidos dramáticos para que o outro ficasse em nossas vidas.

É através do arrependimento que aprendemos a nos responsabilizar pelos próprios erros. Aprendemos a nos culpar por não termos terminado a faculdade, por termos nos sabotado, por não termos tido amor próprio. Por não termos vivido os nossos sonhos e, a partir daí, mudamos. Como dizia Voltaire “Deus fez do arrependimento a virtude dos mortais.”

Encare seus erros como oportunidade de mudança e de poder de transformação e mude sua história. Porque, embora o arrependimento seja doloroso, permanecer em estado de inércia e ser espectador da própria vida é muito, muito mais…

Imagem: Pexels

Deixe uma resposta

*