Conhecimentos empíricos transformados em história: Exupéry e seu Pequeno Príncipe

 

Considerado literatura infanto-juvenil, o clássico “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, publicado originalmente em 1943 é, merecidamente, uma das obras mais famosas do mundo.

Além da história maravilhosa, esteticamente o livro é lindo: ilustrações fantásticas, feitas pelo próprio Exupéry, que contam a história de um principezinho que morava em um asteroide longínquo, o B612. Ele sai em uma viagem pelo universo e chega a um deserto aqui na Terra, onde conhece um piloto cujo avião está encalhado na areia. O Aviador escuta as histórias que o pequeno viajante tem para contar e relembra com ele grandes lições de vida, apagadas pelas asperezas dos anos. Eles se tornam grandes companheiros. Pronto! A partir daí uma sucessão de diálogos, entre protagonistas e personagens secundários, faz com que o leitor se emocione e reveja seus conceitos.

A pergunta é: como Exupéry conseguiu isso?

A história toda do livro, segundo arquivos e estudos voltados à obra, é autobiográfica. Portanto, não fica difícil imaginar o porquê de tanto sucesso. Os conhecimentos empíricos transformados no enredo, permitiram que o autor criasse um vínculo de afetividade com o leitor.A maturidade intelectual e etária permitem que o leitor tenha opiniões diferentes nas diversas vezes em que estiver disposto a ler a obra.

Exupéry era piloto, assim como o personagem de seu livro e morreu um ano depois de lançar o livro, numa missão francesa durante a Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, não pode imaginar o sucesso que seu livro faria. São gerações emocionadas pela obra e que, após 70 anos, continua no topo dos livros mais vendidos (só no Brasil vende mais de 300 mil exemplares por ano).

Em uma análise minuciosa, percebe-se que a narrativa do livro segue uma ordem cronológica, criando sentidos através das experiências vividas pelo protagonista. O livro permite que o leitor entenda até o silêncio das personagens e o discurso que está atrás de suas ações.

Um das cenas mais famosas do livro acontece entre o príncipe, o pôr-do-sol e a rosa. A simplicidade das coisas construídas através de sentimentos nobres: o afeto, a própria existência (vida) e o tempo de cuidado com a mesma. O Pequeno Príncipe é profundo, inteligente e escrito de uma forma metafórica e são, exatamente essas qualidades, que o torna uma verdadeira obra prima da Literatura Mundial.

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