“A depressão é um mecanismo de desespero”- Andrew Solomon

por Karen Padilha

Me sentir estranha o tempo todo como se todos estivessem me observando é um sentimento insuportável, diria que prefiro me abster de poder sentir qualquer tipo de sentimento no mundo se me fosse dada a dádiva de excluir o único que me tira a capacidade de melhorar tudo.

Durante meus 23 anos tive meus bons e maus momentos, digo que os maus eram predominantes e ainda são . Houve uma época em que eu soube controlar minha consciência e esquecer tudo de ruim, mas agora tudo isso voltou, e voltou com força total para me arremessar na mais profunda escuridão que possa existir.

Hà pouco mais de 3 meses estou afundando, não por vontade própria, mas porque isso é mais forte que a minha vontade de não afundar e sim de flutuar quando as eventualidades me levam a afundar.

Sofro com a depressão e tudo isso que acabei de falar faz parte do que ela é e faz com as pessoas. Logicamente não são todas as pessoas que reagem da mesma forma, umas são mais fortes outras já não conseguem, e não por que elas não querem e sim porque simplesmente não conseguem explicar.

A depressão é divida em menor (leve ou distímica) e maior ( severa). Eu fui diagnosticada com a severa.

Passei pela leve e cheguei na severa e pela minha vivência posso dizer que a leve não é tão grave, pode ser controlada com um bom tratamento, pois você se sente infeliz gradualmente , algumas vezes. Já a severa você deseja não mais viver para não sentir a dor que isso te causa.

A depressão é um mecanismo de desespero.

Existem muitos tratamentos, mas apenas 2% da população deprimida recebem tratamentos qualificados e que ajudam a controlar, diz John Greden , Diretor do Instituto de Pesquisa de Saúde mental da Universidade de Michigan .

Não sou expert nesse assunto, apenas tento passar o que entendo, leio, pesquiso e vivencio todos os dias para que as pessoas saibam que não estão sozinhas nessa. Por muitas vezes eu penso que só eu sofro com isso, mas atualmente temos a população mais deprimida na história da humanidade. Pessoas que não tem condições de se tratar ou que recebem tratamentos errados, pessoas que não aceitam que isso é um caso sério e temos também aquelas outras pessoas que não sofrem com isso e acham que isso é frescura, apenas uma tristeza passageira, e posso dizer convivo com pessoas assim o tempo todo e elas estão completamente erradas.

Não é fácil sentir todos os dias que você não se encaixa em nenhum grupo social, que as pessoas te criticam o tempo todo, que não gostam de você, fazem piadas. Não é nada fácil lutar contra uma coisa quando ela já amorteceu todos seus sentimentos, quando isso te faz sentir sozinho e não passa.

Não é fácil, mas lembrem-se que todos os depressivos usam a expressão ”à beira do abismo” o tempo todo para definir a passagem da dor para a loucura. Essa expressão inclui cair ” no abismo”, porque a beira é uma metáfora abstrata, não existe. Já passamos / ultrapassamos à beira de alguma coisa e certamente , não caímos num abismo porque na verdade não existe um abismo, e criamos coisas que não existem para tentar expressar nossa dor e se criamos isso podemos também criar coisas que possam expressar nossa dor de forma não abstrata e que possa se tornar uma felicidade.

Lute.

Karen Padilha natural de Cotia-sp , formada em Introdução a Filosofia ( University of Edinburg – Londres), Introdução a Psicologia ( University of Toronto), Origens da vida no contexto cósmico (USP) e Inglês ( Mayfair School of English- Londres). Áreas como filosofia, psicologia e astronomia são fontes de inspiração para seus projetos.  Acabou de de escrever seu primeiro livro que, em breve, estará disponível nas livrarias: ‘’ O que fizeram de mim? Reflexões sobre traumas e transformações”. 

Imagem: Pexels

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